Neste artigo
A roupa semi seca costuma entrar na conversa no segundo mergulho de um dia de inverno. O mergulhador está de 7 mm, de capuz, fez tudo certo — e sobe tremendo. A espessura não falhou. O que falhou foi o trânsito: a cada pernada, um pouco da água que o corpo aqueceu saiu pela gola ou pelo punho, e entrou água fria no lugar. Durante uma hora inteira. A Pino Patagonic 7mm é uma roupa pensada para cortar exatamente esse trânsito. Este review olha como ela faz isso, peça por peça, o que ela cobra em troca (spoiler: o dupla vai ganhar uma função nova) e em que situação uma 7 mm úmida bem vedada resolve o mesmo problema por menos.
Um aviso de método: este é um review técnico de bancada. Abrimos a roupa na bancada, fotografamos cada vedação de perto e conferimos tudo com a ficha oficial da Pino. Não vamos inventar sensação térmica de mergulho que não fizemos — onde o número é de outra fonte, a fonte está no texto.
Patagonic 7mm em resumo
- O que é: roupa de mergulho semi seca de 7 mm, de fabricação nacional, com zíper semi-seco transversal nas costas, vedação especial no pescoço, punhos e tornozelos, zíperes YKK nº 10 nos punhos e tornozelos e capuz destacável com válvula.
- O ponto forte: reduz a circulação de água dentro da roupa, que é o que de fato rouba calor em mergulho longo.
- O ponto de atenção: é rígida para vestir e, com o zíper atravessado nos ombros, quase sempre precisa de ajuda para fechar.
- Para quem é: instrutor, divemaster e mergulhador que faz exposições longas ou vários mergulhos por dia em água fria; também pesca submarina de longa duração e uso profissional.
- Para quem talvez não seja: quem faz um ou dois mergulhos recreativos por saída no inverno do Sul — aí uma 7 mm úmida com vedação costuma bastar.
- Preço na NetDive: R$ 3.119,40 (6/10/2026), grade XS a 2XL.

Semi seca não é "quase seca": o que muda de verdade
Vale desfazer o nome antes de tudo, porque ele promete mais do que entrega. Existem três famílias de roupa para mergulho, e a diferença entre elas é o que fazem com a água:
| Tipo | O que acontece com a água | De onde vem o isolamento |
|---|---|---|
| Úmida | entra uma camada fina, e parte dela é trocada o tempo todo pelas aberturas | neoprene + água aquecida pelo corpo |
| Semi seca | entra uma camada fina, mas as vedações seguram ela parada | neoprene + água aquecida que não circula |
| Seca | não encosta na pele | ar e forro térmico por baixo da roupa |
A própria Pino descreve a Patagonic assim: uma roupa feita para "diminuir a entrada e principalmente a circulação de água dentro da roupa". É a frase certa. A água que entra no começo do mergulho não é o problema — o corpo aquece aquilo em poucos minutos. O problema é a troca constante: água do mar a 16 °C entrando, água a 30 °C saindo. Como a água conduz calor cerca de 25 vezes mais rápido que o ar (explicamos isso no nosso guia de mergulho em água fria em Santa Catarina), cada litro trocado é calor que não volta.
Então a pergunta certa sobre uma semi seca não é "quanta água entra", e sim "onde a água poderia circular, e o que a roupa faz em cada um desses pontos". São quatro: o zíper, o pescoço, os punhos e os tornozelos.
A construção, peça por peça
Zíper semi-seco transversal nas costas
O zíper principal da Patagonic não desce pela coluna: ele atravessa as costas, de ombro a ombro. A Pino o descreve como "zíper semi-seco de maior durabilidade", com dentes largos e revestidos, e por trás dele há uma aba interna de neoprene (o forro vermelho da foto) que funciona como segunda barreira.

Por que transversal? Porque um zíper vertical nas costas é uma fenda comprida bem no caminho da água que desce pela gola, e trabalha dobrando a cada vez que o mergulhador se curva. Atravessado na altura dos ombros, ele fica numa região que flexiona menos e longe do canal principal de entrada. É a mesma arquitetura que marcas como a Scubapro usam nas semi secas de água fria.
Guarde, porém, a posição dele: entre as omoplatas, numa linha horizontal. Vamos voltar a isso na hora de vestir.
Vedação do pescoço e capuz destacável com válvula
A gola tem uma faixa interna de neoprene liso (o chamado smoothskin, neoprene sem tecido na face, que gruda na pele em vez de deixar a água escorrer). É ela que faz a vedação do pescoço.

O capuz de 5 mm é destacável — veste por cima dessa gola, e os dois trabalham juntos: a Pino projeta as vedações das extremidades para funcionarem "especialmente bem em conjunto com capuz, luvas e botas". O aro do rosto é de neoprene liso, para vedar sem apertar a face. Ser destacável tem vantagem prática: o capuz seca separado, lava separado e fica no barco no dia em que a água estiver menos fria.
E tem a válvula. Todo capuz bem vedado sofre do mesmo mal: o ar que escapa pela máscara e da expiração sobe e fica preso no topo da cabeça, inflando o capuz como um balão — incômodo, e um empuxo a mais exatamente onde não se quer. A válvula Pino, no topo do capuz, deixa esse ar sair sem deixar a água entrar.

Punhos e tornozelos com zíper YKK nº 10
Este é o detalhe que mais diferencia a Patagonic na prateleira. Cada punho e cada tornozelo tem um zíper YKK nº 10 e, por dentro, uma aba de neoprene liso que fecha a abertura.

A lógica é de dois tempos. Aberto, o zíper alarga a passagem para a mão e o pé entrarem sem forçar a vedação — em neoprene de 7 mm, isso é a diferença entre vestir e lutar. Fechado, a aba lisa interna assenta na pele e faz a vedação, enquanto o zíper por fora segura tudo no lugar. É a mesma solução de roupas como a Scubapro Novascotia, e não aparece em roupas úmidas comuns.
A extremidade vedada conversa com o que vem depois dela. Uma bota semi-seca de 5 mm e uma luva térmica de 3 mm fecham o circuito; sem elas, a vedação do tornozelo segura a água de dentro, mas os pés e as mãos continuam no frio.
Powertex, tecido duplo e o resto do corpo
O restante é construção para durar: neoprene com tecido de nylon nas duas faces, reforço em Powertex (um tecido elástico de alta resistência) nos ombros, nos cotovelos e nos joelhos, que são os pontos onde o colete, o cilindro e o fundo do mar gastam a roupa. Para uso profissional, a Pino ainda oferece a Patagonic com um ou dois bolsos opcionais, sob consulta. É uma roupa que a fabricante posiciona também para escolas, operadoras, busca e salvamento, Corpo de Bombeiros e Forças Armadas — e a construção é coerente com esse uso.
Para qual temperatura de água a Patagonic serve
A Pino não publica uma faixa de temperatura para a Patagonic, então vale olhar as referências de mercado:
- A Scubapro indica a Novascotia 7,5 mm, semi seca com a mesma arquitetura (zíper de ombro a ombro e zíperes nos punhos e tornozelos), para água de 7 a 12 °C (ficha do modelo).
- A tabela de espessura da revista Scuba Diving coloca a semi seca 8/7 mm entre 10 e 18 °C para quem tolera bem o frio, e abaixo de 10 °C como alternativa à roupa seca (guia de espessura).
A leitura prática: no inverno do Sul do Brasil, com água entre 15 e 18 °C, a Patagonic é o equipamento de quem passa muito tempo na água — o instrutor no terceiro mergulho do dia, o pescador de quatro horas. Ela desce com folga até perto dos 10 °C quando acompanhada de capuz, luvas e botas. Abaixo disso, ou em mergulhos com longas paradas, a roupa seca volta a ser a resposta mais segura. Sensação térmica, lembre, varia de pessoa para pessoa: peso, metabolismo e o quanto você se mexe no fundo mudam o resultado em vários graus.
O ponto de atenção: vestir (e tirar) a Patagonic
Sem rodeio: a Patagonic não é roupa de vestir sozinho com pressa. Três fatores somam. Os 7 mm de neoprene com tecido duplo são firmes. As vedações são justas por definição — se fossem folgadas, não vedariam. E o zíper transversal fica entre as omoplatas, numa linha que o braço alcança mal. A alça ajuda a puxar o cursor, mas fechar o curso inteiro sozinho, com 7 mm nas costas, exige ombro flexível e prática. Quem já viu uma semi seca dessas sendo vestida no convés conhece a cena: na maioria das vezes, é o dupla que fecha.
Não é defeito; é o preço da vedação. Mas é bom saber antes, e ter um procedimento. O que funciona:
- Vista seco, na sombra e antes de suar. Neoprene molhado de suor agarra na pele. Vestir no sol do convés, depois de montar o equipamento, é o caminho mais longo.
- Abra os quatro zíperes das extremidades (punhos e tornozelos) e o zíper das costas por completo.
- Pernas primeiro. Suba o neoprene em dobras curtas, puxando o tecido da canela até a coxa aos poucos, em vez de puxar a roupa pela cintura. Encaixe bem a virilha antes de seguir — sobra ali vira bolsão de água depois.
- Braços, depois a cabeça. Entre pelos braços com a abertura das costas, depois passe a cabeça pela gola. Um saquinho plástico na mão e no pé faz o neoprene deslizar — truque antigo que continua funcionando.
- Feche o zíper das costas com o dupla. Peça para fechar com a roupa sem dobra no tecido e confira se o cursor bateu no fim do curso. Zíper fechado pela metade é só um zíper caro.
- Feche punhos e tornozelos conferindo a aba lisa. Ela precisa ficar assentada na pele, sem dobra. Dobra é canal de água.
- Capuz por último, com o aro do rosto assentado e a base por cima da gola.
Para tirar, o caminho inverso, com o dupla abrindo o zíper das costas. E um cuidado que vale ouro: o zíper semi-seco é o componente mais caro de trocar na roupa. Enxágue em água doce depois de todo mergulho (por dentro dos dentes também), tire a areia antes de fechar, lubrifique com o produto indicado pelo fabricante e nunca guarde a roupa dobrada sobre ele. Cabide largo, sombra, e o zíper dura temporadas.
Tamanho certo: semi seca não perdoa folga
Uma semi seca larga perde o motivo de existir: cada sobra de tecido nas costas, nas axilas ou na virilha forma um bolsão onde a água circula — exatamente o que a roupa foi construída para evitar. Ao mesmo tempo, ela não pode apertar o peito na hora de respirar nem travar o ombro na hora de alcançar a válvula do cilindro. Por isso a escolha vai pela combinação de altura e tórax, não só pelo peso.
A tabela de medidas da Patagonic 7mm:
| Tamanho | Peso (kg) | Altura (cm) | Tórax (cm) |
|---|---|---|---|
| XS | 50–60 | 155–160 | 83–90 |
| S | 60–70 | 160–170 | 88–95 |
| M | 70–80 | 170–180 | 93–100 |
| L | 80–90 | 175–185 | 98–105 |
| XL | 90–100 | 180–190 | 103–110 |
| 2XL | 100–115 | 185–195 | 108–115 |
Ficou entre dois tamanhos? Mande altura, peso e tórax para a gente pelo WhatsApp antes de fechar o pedido. É mais rápido do que uma troca.
Patagonic × Neoflex 7mm: semi seca ou úmida com selante?
Quem procura uma 7 mm para o inverno costuma chegar a duas opções na nossa loja: a Patagonic e a Fun Dive Neoflex 7mm. A comparação ajuda a entender o que cada uma é — e elas são coisas diferentes.
| Pino Patagonic 7mm | Fun Dive Neoflex 7mm | |
|---|---|---|
| Tipo | semi seca | úmida com selante |
| Espessura | 7 mm | 7 mm no peito e costas, 5 mm em braços e pernas |
| Zíper principal | semi-seco, transversal nas costas | YKK nº 10, vertical nas costas |
| Pescoço, punhos e tornozelos | vedação especial; zíper YKK nº 10 com aba lisa nos punhos e tornozelos | selante nas bordas |
| Capuz | destacável, 5 mm, com válvula, incluso | não incluso; vem no kit com colete com capuz 3 mm |
| Vestir sozinho | trabalhoso; fechar quase sempre com ajuda | fácil, inclusive o zíper |
| Neoprene | tecido duplo de nylon, Powertex em ombros, cotovelos e joelhos | Super Stretch 4-way, texturizado em ombros, peito e costas, joelheiras Supratex |
| Faixa indicada | sem faixa oficial (referência de mercado: ~10 a 18 °C e abaixo) | 10 a 18 °C (ficha do produto) |
| Grade | XS a 2XL | XS a 4XL |
| Preço (6/10/2026) | R$ 3.119,40 | R$ 1.996,40 avulsa · R$ 2.493,70 no kit com colete e capuz |
Lendo a tabela: a Neoflex é uma roupa úmida de 7 mm bem resolvida para o inverno do Sul. Ela abre mão de espessura nos braços e pernas para ganhar mobilidade, usa neoprene muito elástico e fecha sozinha pelo zíper vertical. O selante nas extremidades reduz a entrada de água, mas sem zíper de vedação e sem a aba lisa nos punhos ela não é — nem se propõe a ser — uma semi seca. O capuz é à parte: vem no kit com o colete de 3 mm, que de quebra soma uma camada no tronco.
A Patagonic vai no sentido oposto: aceita ser mais rígida, mais cara e mais trabalhosa para vestir em troca de segurar a água parada por mais tempo. Não existe "melhor" entre as duas. Existe a pergunta de quanto tempo você fica na água, quantas vezes por dia e a qual temperatura.
Vale a pena? Veredito por perfil
- Instrutor ou divemaster que passa o dia na água no inverno: sim. Três ou quatro entradas por dia, com longos períodos parado acompanhando aluno, é exatamente o cenário em que a circulação de água pesa — e a construção reforçada aguenta o uso repetido.
- Mergulhador recreativo em SC no inverno, um ou dois mergulhos por saída: provavelmente não precisa. Uma 7 mm úmida com selante, capuz, luva e bota resolve com mais conforto e menos custo.
- Pesca submarina de longa duração em água fria: faz sentido pelo isolamento em horas de exposição. Pese a rigidez do neoprene na sua técnica de descida.
- Uso profissional e institucional: é para onde a própria Pino aponta a Patagonic; os bolsos opcionais e os reforços vão nessa direção.
- Quem costuma mergulhar sem dupla na hora de vestir (o mergulho de costão em que você chega sozinho de carro): pense duas vezes, ou treine o fechamento em casa antes.

Recomendado pela NetDive
Roupa de Mergulho Semi Seca Patagonic 7mm Pino - Neoprene com Zíper Seco YKK e Capuz
PINO
R$ 2.963,43 à vista no Pix
R$ 3.119,40 no cartão em 10x de R$ 311,94
Conclusão
A roupa semi seca Pino Patagonic 7mm faz o que uma semi seca precisa fazer: ataca a circulação de água em todos os pontos por onde ela poderia passar — zíper transversal com aba interna, gola lisa, capuz destacável com válvula, e o detalhe menos comum, zíperes com aba lisa nos punhos e tornozelos. O preço disso é uma roupa firme, que pede um procedimento para vestir e, quase sempre, um dupla para fechar. Para quem passa horas em água fria, é uma troca que compensa. Para quem mergulha no inverno de vez em quando, uma 7 mm úmida bem vedada pode ser a escolha mais sensata. Compare os modelos na nossa linha de roupas de mergulho — e, na dúvida entre úmida e semi seca para o seu perfil, chama a gente no WhatsApp.




